Mosquito

Sinopse

Moçambique, 1917.

01.

Zacarias é um jovem português sedento por viver grandes aventuras heróicas durante a Primeira Guerra Mundial. Enviado para Moçambique, onde o conflito se desenrola longe dos olhares do mundo, o soldado vê-se deixado para trás pelo seu pelotão e parte numa longa odisseia mato adentro, à procura da guerra e dos seus sonhos de glória.

Dossier de Imprensa

Nota de Intenções

"O real não está na saída nem na chegada:
ele se dispõe para a gente é no meio da travessia."

Guimarães Rosa, escritor brasileiro
02.

Em 1917, com apenas 17 anos, o meu avô paterno desembarcou em Moçambique junto com a 4ª Companhia Expedicionária Portuguesa, para defender a ex-colónia portuguesa da ameaça alemã. Como tantos outros soldados europeus em África durante a Primeira Grande Guerra, teve de fazer centenas de quilómetros a pé, em marchas diárias, enfrentando as mais duras privações, doenças, fome e sede. A diferença é que ele fez isso tudo sozinho, à procura da guerra e dos seus sonhos de glória. Mosquito é inspirado na história da chegada do meu avô a África. No entanto, o que se passou durante a sua longa e solitária caminhada pouco se sabe. É aqui que entra a ficção, a fabulação e o sentido que pretendo dar à narrativa.

A maneira como nós, europeus e não só, ainda hoje lidamos com as questões africanas é reflexo do passado colonialista e dos longos anos de doutrinação de uma certa ideia paternalista sobre África. Mosquito vai buscar uma história do passado para nos confrontar com as escolhas do presente. Através da história do jovem soldado Zacarias, somos confrontados com o horror da guerra e a subjugação dos povos africanos pelos europeus através do domínio colonial. O filme permite-nos conhecer um pouco melhor um pedaço esquecido da nossa história, a Primeira Grande Guerra em África, obrigando-nos a reflectir sobre um período muito maior que foi o nosso direito em subjugar e “civilizar” outros povos que, convenientemente, considerávamos inferiores.

A saga solitária do soldado Zacarias à procura do seu pelotão é a espinha dorsal da história. Pelas suas referências claras da narrativa clássica grega, Mosquito navega dentro do género do filme épico, o que o torna universal na dialética com o público. No entanto, ele não usa apenas os códigos clássicos do género, mas sim uma linguagem e abordagem narrativa descoladas de algumas convenções, indo ao encontro a um universo mais autoral. É na linguagem, que o filme se desvia do clássico para abraçar a história com mais crueza e contemporaneidade, colocando-nos assim mais perto do olhar (cada vez menos) inocente do jovem soldado.

Há no filme uma espécie de flutuação entre a realidade e a fantasia, entre o passado e o presente, entre a fabricação e o quotidiano. As situações parecem fantásticas, mas são reais. Os delírios parecem reais, mas são fabricações de uma mente perturbada. E a suas recordações aparecem como fragmentos dispersos da memória. A ideia do real versus o imaginado é importante pois namora com a própria criação das histórias e das guerras e faz parte da narrativa de Mosquito, explorando o espaço imaginativo deixado vago pela amnésia histórica.

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